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Clube de Leitura - Refúgio das Fadas

Uma fantasia nacional que você não conhece, mas deveria!

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Leitura concluída! Ler esse livro foi muito desafiador por diversos motivos, mas o principal foi a ressaca literária. Normalmente, eu sou uma leitora assídua, mas, este ano, estou comprometendo minhas leituras por causa da mente, da faculdade e de outras questões pessoais...

Mas, em meio a tantas turbulências, tive a sorte de conhecer novas amigas, e a jornalista e influencie literária Natane Ramos me convidou para participar do seu clube de leitura, chamado Refúgio das Fadas. Fiquei muito feliz, e essa foi minha primeira leitura no clube. E foi extraordinária!

A indicação da leitura veio da mais mais, a revisora Lorena Evangelista (você pode encontrar o trabalho dela em vários livros nacionais). Detalhe: ela não participou do encontro para discutir o livro, já que é uma pessoa muito ocupada, mas não importa! A diva indicou um baita livro que eu não fazia ideia de que existia.

Eu tive um mês para ler um livro relativamente curto, com menos de 400 páginas. Ainda assim, demorei o mês todo. Mas, enfim, vamos parar de enrolar e falar sobre a história! Quero trazer aqui nessa resenha barra impressão barra minha opinião kakaka o que discutimos juntas no encontro do clube, se eu conseguir lembrar rsrsrsrs.

O livro foi escrito por Emília Freitas em 1899. Pesquisando sobre a obra, descobri que A Rainha do Ignoto é considerada uma obra pioneira da literatura fantástica brasileira, apresentando também elementos de ficção científica e utopia. Essa importância é discutida em estudos acadêmicos, como os artigos de Aline Sobreira de Oliveira, publicado na revista Em Tese, da UFMG, e de Ana Paula Araújo dos Santos, publicado na revista Entrelaces, da UFC. Isso mesmo, pasmem! Emília é nordestina, ou seja, mais um superlivro saindo das melhores terras desse país, em uma época historicamente difícil para as mulheres escritoras. Entretanto, Emília conseguiu desenvolver uma narrativa envolvente, um verdadeiro clássico repleto de questões sociais e reflexões sobre a condição feminina que permanecem relevantes até hoje.

Nesse romance, a autora aborda questões como independência feminina, força da mulher, pobreza, discriminação, preconceito, escravidão e violência, além de diversas questões psicológicas que, mesmo naquela época, já faziam parte da experiência humana, embora nem sempre recebessem o devido reconhecimento ou espaço nas discussões sociais.

Nessa história, vocês podem encontrar um personagem masculino que protagoniza todo o romance, seja na relação com a Rainha do Ignoto, seja com outras personagens. Você vai precisar ler para descobrir!

Edmundo viaja para o Ceará em busca da misteriosa mulher mencionada em histórias contadas por viajantes, conhecidos, contos e fábulas. Ele quer descobrir o mistério e acaba ficando obcecado por essa figura feminina enigmática, forte e entusiasmante.

A Rainha do Ignoto é a mulher que lidera um reino de paladinas que acolhe e cuida de mulheres, crianças e até mesmo, em algumas situações, homens em situação de vulnerabilidade, resgatando pessoas em diversas regiões diferentes do mapa.

Junto com essas missões e valores, as paladinas também precisam enfrentar dilemas mentais e sociais complexos, que me fazem questionar: qual o preço que se deve pagar para se ter liberdade e para que outras pessoas também possam desfrutar dela? Quão egoísta ou solitário pode ser se perder e se esconder para que outras pessoas possam ser vistas? Perdoar, amar, aceitar, desfazer-se de amarras e manter-se irreconhecível devem ser a chave para o descanso?

Não posso falar mais nada! Acho que você que está lendo essa resenha deveria, ou melhor, PRECISA, ler essa história. Precisamos conhecer e apreciar a literatura nacional, e é bom demais quando ela é escrita por uma mulher.

Boa leitura e que a luz esteja com você!


Para saber mais — Referências

OLIVEIRA, Aline Sobreira de. A Rainha do Ignoto, de Emília Freitas: do fantástico à utopia. Em Tese, Belo Horizonte, v. 20, n. 3, p. 140–153, 2014.

Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/emt/article/view/31904

SANTOS, Ana Paula Araújo dos. A figuração fantástica em A Rainha do Ignoto (1899) de Emília Freitas. Entrelaces, Fortaleza, v. 8, n. 20, p. 22–34, 2020.

Disponível em: https://www.periodicos.ufc.br/entrelaces/article/view/43254

Créditos da imagem

Imagem original: encontrada no Pinterest.

Edição: Magnific. Disponível em: https://www.magnific.com/br/app 

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